Da série “Retratos de um Direito”: Prisões infantis norte-americanas
Sexta-feira, 6 de Março de 2015

Da série “Retratos de um Direito”: Prisões infantis norte-americanas

Na tentativa de expor a assustadora violação de direitos na terra do Tio Sam e mostrar o lado humano dos jovens encarcerados, Juvenile in Justice é um ensaio fotográfico que retrata a vida dos jovens norte americanos nas detenções.

Os retratos foram feitos pelos fotógrafos Ira Glass e Bart Lubow e contém pequenas entrevistas sobre o sentimento das crianças, os motivos que as levaram ao cárcere e o dia-a-dia das prisões.

Um menino, de 12 anos, em sua cela sem janelas no Centro de Detenção Juvenil do Condado de Harrison em Biloxi, Mississippi. O centro é coordenado pelos Serviços de Segurança Mississippi, uma companhia privada. Existe, atualmente, uma ação judicial contra o SSM que o forçou a diminuir a população carcerária. Agora, deverá ser mantida a proporção de 8 presos por funcionário.

Uma garotinha em Maryvale, uma instituição só para garotas em Rosemead, California.

A “Parede da Vergonha”, no Centro Regional de Miami-Dade de Detenção Juvenil em Miami, Florida. Mugshots de crianças que foram soltas e mortas por tiros. A palavra “expired” nas fotos significa, na verdade, “falecido (a)”.

23 jovens, sob supervisão, na Prisão da cidade de Orleans, em Louisiana. Houve uma briga na noite anterior à foto, e então os funcionários retiraram todos os privilégios dos presos – tais como TV, cartas e dominós. O ar-condicionado está quebrado e é Agosto em Nova Orleans, mês de verão.

“Ninguém me visitou até agora. Ninguém. Eu não estou aqui por ter violado um status legal. Eles me colocaram aqui por outra razão. Eu conversarei com o juiz amanhã. Eu tenho de ficar tocando a parede por ter o que eles chamam de “comportamento antissocial” – apenas uma “violação de procedimento”, nada demais. Já estou tocando a parede há algum tempo. Não importa qual parte dela eu toque, desde que eu tenha alguma parte minha apoiada nela. Estou tentando dormir aqui.” J.B., 17 anos, Detenção Juvenil de Hale Ho’omalu, no centro de Oahu, no Hawaii. A prisão foi construída nos anos 50 e agora está fechada.

Centro Correcional Juvenil Mendota, em Mendota, Wisconsin.

“Eu trabalhei na fábrica de embalagens por mais ou menos 16 meses. Eu vim aqui a St. Bridgette para procurar ajuda. O padre Paul dá o melhor de si por nós. ICE foi invadida. Vários caminhões e homens com armas e helicópteros. Eles deportaram a maioria das pessoas, mas mantiveram alguns de nós para irmos à Corte contra os proprietários. Eles tinham vários menores trabalhando aqui. Todos nós éramos do mesmo vilarejo na Guatemala. Nós moramos em casas da companhia. Acho que eles me deixaram ficar por causa do bebê.” R.T., 16 anos, Postville, Iowa.

Centro Correcional Juvenil Oak Creek, em Albany, Oregon.

Jovem garota com cicatrizes advindas de sua automutilação. Num dos braços, está escrito “Fuck Me”, que significa algo como “que merda”. Centro de Justiça Juvenil Jan Evans em Reno, Nevada.

“Estou aqui há três dias. Fui acusada por ter fugido de um orfanato. E também por furto e mais outras sete acusações de fuga. Eu peguei o carro da minha mãe e tentei fugir da polícia. Então fui acusada. Meu pai mora com a minha madrasta – os dois são viciados em bebida. Meu pai trabalha em construções. Minha madrasta rouba toda a atenção do meu pai. Ela é contadora. Minha mãe desistiu da minha guarda no ano passado. Ela é esquizofrênica, bipolar e tem tendências psicóticas. Ela trabalha num hospital. O olho roxo? Foi numa briga com minha namorada. Ela me socou tão forte que eu voei pela sala e fiquei com uma ferida no ombro. Meu olho está bem melhor agora. Fui agredida duas semanas atrás. Minha namorada é jogadora de vôlei. Ela me bateu porque eu era viciada em bebida e drogas. Eu disse que ia parar, mas voltei para casa bêbada. Ela vive com a nossa melhor amiga, E. Ela morava com sua família, mas eles mudaram e a deixaram sozinha. Eu espero que a mãe de E. me adote ou ao menos consiga minha guarda. Antes desse incidente eu tinha B’s e C’s na escola. É bem difícil ser gay e cristã numa terra de homofóbicos. Na verdade, é bem impossível.” A. B., 14 anos, Centro de Detenção Juvel de Tulsa, Oklahoma.

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“Eu me envolvi em uma briga na escola. Um menino estava xingando minha mãe. Eu dei um soco nele e fui embora da escola. Quando me prenderam e me levaram na viatura eu não coloquei o cinto de segurança. Eles disseram que isso era uma ‘violação’. Fui sentenciado a duas semanas neste lugar.” – N.R, 12 anos de idade. Douglas County Junvenile Detention, Lawrence, Kansas.

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“Estou preso aqui pela segunda vez. Passo dia e noite neste lugar. Não tem colchão e lençol. Recebo minhas refeições através desse buraco.” – J., 16 anos, preso na solitário em South Bend Juvenile Correctional Facility, South Bend, Indiana.

 

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“Eu tinha 13 anos e estava com meu namorado. Estávamos muito bêbados. Invadimos uma casa no meio do deserto e ficamos bebendo por lá. Os donos aparecerem…E o crime ocorreu. Estou nessa cela desde os meus 14 anos, divido ela com outra menina. Acho que são quase 10 horas da manhã. Estou na lista para conseguir a condicional, mas em 4 diferentes ocasiões os parentes das vítimas deram depoimentos contra a minha liberdade. Se eu fosse eles teria feito o mesmo, mas agora com 20 anos já não sou a mesma drogada que era aos 13. Agora eu sou a chefe da unidade de combate a incêndios. Serei solta daqui 4 anos e 3 meses. Estou envelhecendo fora do sistema. Eles precisam me soltar quando eu completar 25.” – C.H, 20 anos, Ventura Youth Correctional Facility Camarillo, Califórnia.

 

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Câmera de monitoramento da cela de isolamento no Louis Detention Centes, St. Louis Missouri

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“Estou aqui faz uma semana. Acho que eles chamam esse lugar de ‘quarto de observação’. Eu não gosto de ler e aqui não tem televisão. Era para eu voltar pra casa hoje, mas minha tia não veio me buscar. Já estive preso aqui três vezes. Ninguém nunca me visitou.” – G.P, 14 anos, Southwest Idaho Juvenile Detention Center, Caldwell, Idaho.

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“Fui expulsa da escola por vadiagem. Estou presa aqui há duas semanas. Acho que estou aqui porque eles me consideram um risco a mim mesma. Quando eles querem entrar no meu quarto eles apenas entram, ninguém bate na porta ou me avisa. Tem mais meninas presas comigo por conduta lasciva, venda de drogas e roubos.” – C.T., age 15 Southwest Idaho Juvenile Detention Center, Caldwell, Idaho.

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Estou esperando minha mãe vir me buscar. Ela está trabalhando hoje. Quero ir pra casa. Estou aqui porque briguei na escola. —R.T., age 10 Jan Evans Juvenile Justice Center, Reno, Nevada.

 

 

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